Um artigo publicado na quarta-feira (14) na revista Nature traz novos detalhes sobre o quasar PDS 456, um dos mais poderosos já observados. Quasares são formados quando buracos negros gigantes, localizados no centro de galáxias, começam a se alimentar de grandes quantidades de matéria. Nesse processo, eles liberam tanta energia que brilham mais do que a própria galáxia onde habita.
O PDS 456 está passando por uma intensa tempestade de plasma. Isso acontece porque o buraco negro está engolindo mais matéria do que consegue absorver, e parte desse material é expelida em alta velocidade. Esses jatos de gás, além de brilhantes, podem afetar o comportamento da galáxia como um todo.

Geralmente, essa atividade começa quando galáxias colidem ou se aproximam, empurrando matéria para o centro. Essa movimentação alimenta o buraco negro, que, em troca, libera ventos cósmicos poderosos. Mas os cientistas ainda não sabem como esses ventos se formam exatamente nas regiões próximas ao buraco negro.
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Quasar atira “balas” de plasma em utravelocidade
Com a ajuda do telescópio espacial XRISM (sigla para Missão de Imagem e Espectroscopia de Raios X), operado pela agência espacial japonesa (JAXA), os pesquisadores conseguiram observar esses ventos em detalhes.
Segundo um comunicado, o que encontraram foi surpreendente: os fluxos de gás não são suaves, mas ocorrem em blocos separados, como se fossem “balas” de plasma disparadas a velocidades altíssimas.

Essas rajadas atingem de 20% a 30% da velocidade da luz. A cada ano, o buraco negro perde uma quantidade de gás suficiente para formar entre 60 e 300 estrelas como o Sol. Mesmo se originando de uma região muito pequena – cerca de 0,1 ano-luz do centro – essas explosões são mil vezes mais energéticas do que ventos que percorrem toda a galáxia.
Ainda não se sabe exatamente como esses fluxos influenciam o desenvolvimento da galáxia. Segundo a pesquisadora Valentina Braito, do Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF) em Milão, o PDS 456 é um laboratório natural para entender esses fenômenos extremos.
O buraco negro do PDS 456 tem massa 1,5 bilhão de vezes maior que a do Sol e está a 2,5 bilhões de anos-luz da Terra. Os cientistas agora querem estudar outros quasares para descobrir se esse comportamento é comum ou uma exceção no Universo.
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Fonte: Olhar Digital