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Ameaça invisível: fungos mortais vão invadir novas regiões com o aquecimento global, diz estudo

Pesquisadores da Universidade de Manchester indicam que fungos do gênero Aspergillus, responsáveis por doenças graves em humanos e plantas, poderão ampliar sua distribuição geográfica devido ao aquecimento global.

Estes fungos causam a aspergilose, infecção pulmonar com alta taxa de mortalidade, e seu avanço para novas regiões preocupa especialistas.

Distribuição atual e futura das espécies de Aspergillus

O estudo utilizou modelagem por Máxima Entropia (MaxEnt) combinada com dados globais de sequenciamento ambiental para mapear a atual e futura adequação climática para três espécies patogênicas: A. fumigatus, A. flavus e A. niger.

Foi constatado que A. fumigatus predomina em climas temperados do hemisfério norte, enquanto A. flavus e A. niger preferem regiões mais quentes, típicas dos trópicos.

Com o avanço dos cenários climáticos mais severos previstos para o fim do século, todas as três espécies tendem a expandir sua área de ocorrência em direção aos polos, principalmente no hemisfério norte, abrangendo partes da América do Norte, Europa, Rússia e China. Já algumas regiões do hemisfério sul, como partes da África e da América do Sul, podem se tornar menos favoráveis para esses fungos devido ao aumento extremo das temperaturas.

Impactos para a saúde humana e segurança alimentar

Essa expansão tem impactos diretos para a saúde humana, pois a aspergilose apresenta mortalidade entre 20% e 40% e afeta principalmente pessoas com o sistema imunológico comprometido, além de ser difícil de diagnosticar por apresentar sintomas comuns a outras doenças respiratórias.

Além dos riscos à saúde, A. flavus representa uma ameaça significativa à segurança alimentar, já que essa espécie pode contaminar culturas agrícolas importantes com aflatoxinas, toxinas que prejudicam a saúde humana e animal. O fungo é resistente a diversos antifúngicos, o que dificulta seu controle.

Influência das mudanças climáticas na adaptabilidade dos fungos

As mudanças climáticas também podem aumentar a tolerância térmica dos fungos, facilitando sua sobrevivência no corpo humano.

Eventos climáticos extremos, como secas e enchentes, têm potencial para disseminar os esporos a longas distâncias, ampliando a exposição da população.

Por outro lado, a importância ecológica dos fungos como recicladores de nutrientes em solos saudáveis ressalta que a redução do habitat desses organismos em certas regiões pode trazer desequilíbrios ambientais.

Vigilância e desafios futuros

O estudo destaca ainda que há uma correlação entre a distribuição ambiental dos fungos e a prevalência clínica das infecções, o que pode ajudar a orientar futuras estratégias de vigilância e manejo clínico.

Especialistas reforçam a necessidade urgente de ampliar o conhecimento e o monitoramento sobre fungos patogênicos, que até hoje são pouco estudados em comparação com vírus e bactérias, mas que já são responsáveis por milhões de mortes anuais e devem se tornar uma ameaça crescente em um mundo mais quente.

O estudo reforça ainda a urgência de ações globais para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas no campo da saúde pública e segurança alimentar.

Fonte: Exame

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