O Novo Rumo da Indústria de Notebooks
Durante a CES 2026, realizada em Las Vegas, as principais fabricantes de computadores, como Dell, HP e Lenovo, destacaram uma mudança significativa no design dos notebooks: a modularidade. Essa abordagem visa atender à crescente demanda dos consumidores por dispositivos que possam ser facilmente reparados e atualizados, prolongando sua vida útil.
Historicamente, a indústria de tecnologia tem seguido uma tendência de design que prioriza a estética e a compactação, resultando em componentes soldados e chassis colados. No entanto, a nova filosofia de design apresentada na CES sugere uma reavaliação dessa estratégia, com foco na acessibilidade e na facilidade de manutenção.
Mais Modularidade em 2026
A Lenovo, por exemplo, introduziu o design modular Space Frame na linha ThinkPad X1 Carbon Gen 14 Aura Edition, que mantém o visual característico da marca, mas facilita reparos e atualizações. A Dell também ressuscitou a linha XPS, apresentando os modelos XPS 14 e 16, que permitem a troca de componentes desgastados, como teclado e bateria, sem procedimentos complexos.
Além disso, o vice-presidente da Dell, Jeff Clarke, destacou que a inteligência artificial não é um fator decisivo para os consumidores na hora da compra, uma afirmação que contrasta com a abordagem de muitas outras fabricantes. A Intel, por sua vez, propôs uma nova arquitetura que divide a placa-mãe em módulos, permitindo que os usuários troquem apenas o módulo do processador ou de conectividade, reaproveitando o restante do chassi.
Fabricantes como Acer e Asus também estão se adaptando a essa tendência. A Acer, com sua linha Vero, utiliza plásticos reciclados e projeta seus produtos para serem facilmente desmontados para reciclagem ou reparo. A Asus, focada em ultraportáteis, tem implementado melhorias na acessibilidade interna, reduzindo o uso de adesivos em favor de parafusos convencionais.
Apple Segue Caminho Oposto
Enquanto isso, a Apple mantém uma estratégia de hardware integrado e espessura reduzida. A transição para os chips Apple Silicon resultou na eliminação de RAM e armazenamento expansíveis, que agora estão incorporados diretamente ao processador. Rumores indicam que o MacBook Pro de 2026 será ainda mais fino, possivelmente adotando telas OLED, mas essa busca pela finura pode comprometer a reparabilidade.
A abordagem da Apple, que prioriza a integração total, oferece controle sobre desempenho e design, mas limita a autonomia do usuário. O reparo de um MacBook frequentemente requer assistência técnica especializada, elevando os custos e dificultando a manutenção.
Reparabilidade é Importante para o Consumidor Brasileiro
Para os consumidores brasileiros, a possibilidade de investir em equipamentos que permitem atualizações e reparos acessíveis é uma escolha lógica, especialmente em um cenário econômico desafiador. Com a previsão de aumento de até 20% nos preços de notebooks e celulares em 2026, devido ao encarecimento global de semicondutores, a tendência é priorizar o conserto em vez da substituição total.
Além do aspecto econômico, a questão ambiental também é relevante. O Brasil é o maior produtor de lixo eletrônico da América Latina, gerando mais de 2 milhões de toneladas anualmente. Facilitar o reparo dos dispositivos pode ajudar a reduzir o descarte irregular e contribuir para uma gestão mais sustentável dos resíduos eletrônicos.
Fonte(s): Notebooks mais fáceis de consertar voltam ao radar da indústria, Dell ressuscita a linha XPS, Dell admite que consumidores não estão interessados em IA, Intel propõe nova arquitetura modular, Acer e sua linha Vero, Melhorias na acessibilidade interna da Asus, Rumores sobre o MacBook Pro de 2026, Notebooks e celulares ficarão mais caros, ONU sobre lixo eletrônico.
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