Bhutan e a Revolução do Bitcoin Verde
Bhutan, um pequeno reino no coração do Himalaia, está se destacando no cenário global ao utilizar seu excedente de energia hidrelétrica, livre de carbono, para minerar Bitcoin. Essa estratégia inovadora transforma a eletricidade excedente em um ativo digital, ao invés de simplesmente reduzir a geração de energia. A abordagem do país visa não apenas gerar receita, mas também criar uma reserva de liquidez em moeda estrangeira que já tem apoiado as finanças do governo.
Historicamente, Bhutan tem se beneficiado de sua vasta capacidade hidrelétrica, que é um pilar fundamental de sua economia, especialmente nas exportações de eletricidade para a Índia. O governo vê a expansão da capacidade hidrelétrica como essencial para escalar suas ambições no setor de criptomoedas. Com uma política energética nacional que projeta um potencial hidrelétrico de 33.000 megawatts, o país está se posicionando como um líder em energia renovável e ativos digitais.
O Papel da Hidrelétrica na Economia Digital
A estratégia de criptomoedas de Bhutan é liderada pela Druk Holding and Investments (DHI), o braço de investimento do governo. Desde 2019, a DHI começou a incluir criptomoedas em seu portfólio, utilizando a mineração de Bitcoin como uma forma de aumentar a liquidez em moeda estrangeira. Nos últimos dois anos, os lucros gerados pela mineração têm sido utilizados para pagar salários do governo, demonstrando a eficácia dessa abordagem.
A parceria entre a DHI e a Bitdeer, anunciada em 2023, visa desenvolver operações de mineração de ativos digitais sustentáveis, aproveitando a energia renovável do país. Essa colaboração é um passo significativo para transformar o excedente energético em um ativo financeiro, reforçando a posição de Bhutan no mercado de criptomoedas.
Desafios e Oportunidades na Mineração de Bitcoin
A mineração de Bitcoin em Bhutan não é isenta de riscos. A volatilidade do preço do Bitcoin pode impactar as finanças públicas, uma vez que a utilização de ativos voláteis para orçamentos governamentais pode introduzir incertezas. Além disso, a transparência na gestão dos ativos digitais é crucial, especialmente considerando que as reservas estão ligadas ao estado.
A abordagem regulatória do Banco Central, a Royal Monetary Authority (RMA), é cautelosa, permitindo atividades de criptomoedas apenas em um ambiente controlado e limitado a entidades registradas. Essa estratégia visa proteger o mercado local de especulações excessivas e garantir que a mineração de Bitcoin seja tratada como uma infraestrutura financeira, e não como uma mera aposta.
Análise do Impacto e Implicações
A iniciativa de Bhutan em minerar Bitcoin utilizando energia hidrelétrica representa um modelo inovador que pode influenciar outros países em desenvolvimento. A combinação de recursos renováveis e uma abordagem regulatória controlada pode servir como um exemplo de como os países podem integrar criptomoedas em suas economias de forma sustentável. No entanto, o sucesso desse modelo dependerá da expansão contínua da capacidade hidrelétrica e da gestão disciplinada das reservas digitais.
Além disso, a narrativa do “Bitcoin verde” pode atrair investimentos e parcerias internacionais, mas é fundamental que Bhutan mantenha a transparência e a responsabilidade na gestão de seus ativos digitais. O futuro da economia digital do país pode se consolidar como um modelo a ser seguido, desde que os desafios sejam geridos com eficácia e as oportunidades sejam exploradas de maneira estratégica.
Fontes(s): Bhutan’s Pitch to the Crypto World, Bhutan Turns to Green Cryptocurrency, National Energy Policy 2025, RMA’s Regulatory Stance on Cryptocurrency.
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