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Ritos funerários de um Papa: o que acontece após a morte e como funciona o conclave

Ritos Conclave

A morte de um Papa inicia um período chamado Sede Vacante, quando a Igreja Católica fica sem um pontífice. Nesse intervalo, são realizados os ritos funerários, celebradas as missas em memória do Papa falecido e preparados os procedimentos para a eleição de seu sucessor.

Mas o que acontece exatamente quando um Papa morre? Como funciona a despedida? Onde ele é enterrado? E quanto tempo pode durar um conclave?

As respostas envolvem regras estabelecidas pelo Vaticano, tradições com séculos de história e algumas mudanças recentes nos ritos papais.

O que é a Sede Vacante?

A expressão latina Sede Vacante significa literalmente “Sé Vacante” e identifica o período em que a Sé Apostólica está sem Papa.

Durante esse intervalo, o Colégio dos Cardeais assume determinadas funções administrativas e prepara a Igreja para a eleição do novo pontífice. No entanto, os cardeais não assumem os poderes que pertenciam ao Papa.

As regras que orientam esse período estão principalmente na Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis, promulgada por João Paulo II em 1996.

Entre as primeiras providências está a confirmação oficial da morte do pontífice pelo Camerlengo da Santa Igreja Romana, além das medidas necessárias para preservar os bens e documentos da Santa Sé.

Os cardeais também passam a realizar as chamadas Congregações Gerais, reuniões nas quais discutem os assuntos da Igreja e organizam os preparativos para o funeral e para o futuro conclave.

Outro símbolo importante é o Anel do Pescador, que pertence ao Papa. Depois de sua morte, o anel e o selo de chumbo utilizados durante o pontificado são anulados, impedindo que sejam usados para autenticar novos documentos em nome do pontífice falecido.

Como são os ritos funerários de um Papa?

Os funerais de um Papa seguem normas litúrgicas próprias. Entretanto, algumas práticas tradicionais foram modificadas nos últimos anos. Em 2024, o Vaticano publicou uma nova edição do Ordo Exsequiarum Romani Pontificis, livro litúrgico que estabelece os ritos para as exéquias do Romano Pontífice.

Entre as mudanças está a simplificação de algumas etapas do funeral. Uma das alterações mais conhecidas é o fim da tradição dos três caixões, anteriormente utilizados durante o processo funerário. Pelas novas normas, o corpo é colocado em um único caixão de madeira, preparado de acordo com as prescrições litúrgicas.

Também houve mudança no momento da constatação da morte. O novo rito prevê que essa confirmação seja realizada na capela privada do Papa, e não mais necessariamente no quarto onde ele morreu.

As mudanças foram colocadas em prática pela primeira vez em um funeral papal com a morte do Papa Francisco, em abril de 2025.

A exposição do corpo e a despedida dos fiéis

Depois dos primeiros ritos, o corpo do Papa é levado para a Basílica de São Pedro, onde os fiéis podem prestar suas últimas homenagens.

As novas normas também simplificaram essa etapa. O corpo pode ser colocado diretamente no caixão e exposto para a veneração pública, sem a antiga estrutura de três caixões.

No caso de Francisco, o corpo foi transferido da Casa Santa Marta para a Basílica de São Pedro em 23 de abril de 2025.

Dois dias depois, em 25 de abril, foi realizado o rito de fechamento do caixão. O procedimento foi oficialmente anunciado pelo Escritório das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice.

Durante os dias de exposição, centenas de milhares de pessoas passaram pela Basílica de São Pedro para prestar homenagem ao Papa Francisco.

A Missa Exequial

A principal celebração pública do funeral é a Missa Exequial, realizada de acordo com as normas do Ordo Exsequiarum Romani Pontificis.

Normalmente, a celebração acontece na região da Basílica de São Pedro e reúne autoridades religiosas, representantes de diversos países e milhares de fiéis.

No funeral de Francisco, a missa aconteceu em 26 de abril de 2025, na Praça de São Pedro, e foi presidida pelo cardeal Giovanni Battista Re, então Decano do Colégio dos Cardeais.

O Vaticano publicou oficialmente a programação da Missa Exequial de Francisco, incluindo os procedimentos previstos para a celebração.

Onde um Papa é enterrado?

A tradição levou muitos Papas a serem sepultados nas Grutas Vaticanas, abaixo da Basílica de São Pedro. Isso, porém, não significa que todo Papa precise ser enterrado no Vaticano. O local da sepultura pode seguir a vontade do próprio pontífice.

Francisco, por exemplo, escolheu ser enterrado na Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma. A escolha estava de acordo com sua vontade e foi confirmada oficialmente pelo Vaticano. Após a Missa Exequial de 26 de abril de 2025, o caixão foi levado para Santa Maria Maior, onde ocorreu o rito de sepultamento previsto pelo Ordo Exsequiarum Romani Pontificis.

O Vaticano confirmou oficialmente o sepultamento de Francisco na Basílica de Santa Maria Maior.

O que são os Novendiais?

Após a morte de um Papa, a Igreja Católica realiza um período tradicional de nove dias de missas e celebrações em sufrágio de sua alma, conhecido como Novendiais ou Novendiali.

A própria Universi Dominici Gregis estabelece a realização das exéquias durante nove dias consecutivos.

Os Novendiais fazem parte do período de luto e oração pela morte do pontífice. Isso não significa, porém, que o conclave precise esperar o término desse período para começar em qualquer circunstância. A legislação prevê regras específicas para a preparação da eleição e para a entrada dos cardeais na Capela Sistina.

No caso de Francisco, a Missa Exequial realizada em 26 de abril de 2025 marcou também o primeiro dia dos Novendiais.

Como funciona o conclave?

O conclave é a reunião dos cardeais eleitores responsável pela escolha do novo Papa. A palavra vem do latim cum clave, expressão que pode ser traduzida como “com chave”, referência ao isolamento dos cardeais durante a eleição.

Antes do conclave, os cardeais participam das Congregações Gerais, nas quais discutem a situação da Igreja e outros assuntos relacionados à escolha do novo pontífice.

Quando chega o momento da eleição, os cardeais eleitores seguem para a Capela Sistina. Ali, prestam o juramento previsto pelas normas e assumem o compromisso de manter o sigilo sobre tudo o que acontece durante a eleição.

Em seguida, é pronunciado o tradicional “Extra omnes”, determinando a saída de todas as pessoas que não participam do conclave.

A entrada no conclave e o juramento dos cardeais estão previstos no Ordo Rituum Conclavis e foram seguidos na eleição de 2025.

Para entender melhor o contexto histórico do papado e como a sucessão dos pontífices foi se desenvolvendo ao longo dos séculos, vale também conhecer a história dos Papas.

Quem pode votar no conclave?

A regra estabelece que participam da eleição os cardeais que ainda não completaram 80 anos no início da Sé Vacante, observadas as normas estabelecidas pela legislação da Igreja.

Durante muito tempo, tornou-se comum afirmar que o conclave teria um limite absoluto de 120 cardeais eleitores. Essa afirmação, porém, precisa ser tratada com cuidado.

A Universi Dominici Gregis estabeleceu o número de 120 no artigo 33, mas a própria história recente mostrou que esse número não funciona como um limite absoluto em todas as situações.

Em 2025, por exemplo, participaram do conclave 133 cardeais eleitores. O Colégio dos Cardeais explicou oficialmente que Francisco havia criado cardeais acima do número previsto e dispensado, nesse caso, a aplicação daquele limite.

A decisão foi registrada em uma declaração oficial do Colégio dos Cardeais publicada pelo Vaticano em 30 de abril de 2025.

Portanto, para entender quem pode votar, o critério mais importante é a idade e a condição de cardeal eleitor, e não simplesmente um número fixo de participantes.

Como acontece a votação?

A votação é secreta e realizada por meio de cédulas. Para que um candidato seja eleito Papa, é necessária uma maioria de dois terços dos votos. Essa exigência possui uma longa tradição na história da Igreja. O princípio da maioria de dois terços foi estabelecido de forma mais clara no século XII e continua sendo uma das características fundamentais da eleição papal.

As regras atuais estão estabelecidas principalmente na Universi Dominici Gregis, com alterações posteriores. No primeiro dia do conclave pode ocorrer uma votação. Nos dias seguintes, normalmente são realizadas votações pela manhã e à tarde, conforme o procedimento estabelecido.

Depois de cada rodada, as cédulas são queimadas. Quando não há um Papa eleito, a fumaça que sai da chaminé da Capela Sistina é preta. Quando um candidato alcança a maioria necessária e aceita a eleição, a fumaça é branca. É por isso que milhões de pessoas acompanham atentamente a chaminé da Capela Sistina durante um conclave.

O que acontece depois que um Papa é eleito?

Quando um cardeal alcança a maioria necessária, ele é questionado se aceita a eleição. Se responder afirmativamente, passa a ser o novo Papa e escolhe o nome que utilizará durante o pontificado.

A partir desse momento, são realizados os procedimentos previstos para o início do novo pontificado. O novo Papa veste a tradicional batina branca, enquanto a fumaça branca anuncia ao mundo que a eleição terminou.

Pouco depois, o cardeal protodiácono aparece na varanda central da Basílica de São Pedro e anuncia: “Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Papam!”.

Em seguida, apresenta o nome do novo pontífice. O Papa então aparece pela primeira vez diante dos fiéis e costuma conceder sua primeira bênção Urbi et Orbi, “à cidade e ao mundo”.

Quanto tempo dura um conclave?

Não existe uma duração fixa para um conclave.

As regras atuais estabelecem procedimentos para determinar quando a eleição pode começar, levando em consideração a chegada dos cardeais eleitores e eventuais motivos graves que possam justificar algum adiamento. Por isso, não é correto afirmar que um conclave obrigatoriamente começa ou termina depois de um determinado número de dias, como “15 a 20 dias”.

A história mostra justamente o contrário: algumas eleições foram extremamente rápidas, enquanto outras demoraram meses ou até anos.

O conclave mais longo da história

A eleição que resultou na escolha de Gregório X é considerada a mais longa da história da Igreja.

Os cardeais começaram a eleição em 29 de novembro de 1268, em Viterbo, e chegaram à escolha de Teobaldo Visconti, que se tornou Gregório X, somente em 1º de setembro de 1271. Foram aproximadamente 33 meses, ou quase três anos.

Naquele período, porém, ainda não existia o conclave formal exatamente como conhecemos hoje. Foi justamente após essa longa eleição que Gregório X estabeleceu regras mais rigorosas para o isolamento dos cardeais. A Constituição Ubi Periculum, de 1274, consolidou o sistema que deu origem formal ao conclave.

O próprio Vaticano destaca a eleição de Gregório X como a mais longa da história.

O conclave mais rápido

Entre os conclaves mais rápidos está o que elegeu Júlio II, em 1503. A eleição foi concluída em aproximadamente um dia, com apenas uma votação, favorecida pelo consenso que já existia entre os cardeais.

Isso mostra como a duração de um conclave pode variar enormemente dependendo das circunstâncias e do grau de consenso entre os eleitores.

Exemplos mais recentes

Nos tempos modernos, os conclaves também foram relativamente curtos.

  • Bento XVI, em 2005, foi eleito depois de quatro votações, em pouco mais de um dia.
  • Francisco, em 2013, foi eleito depois de cinco votações, ao longo de dois dias.
  • Em 2025, o conclave que elegeu o novo Papa também teve duração curta, terminando no segundo dia de votação.

Portanto, não há como prever com segurança quanto tempo um conclave vai durar. Tudo depende do processo de discernimento e do consenso alcançado entre os cardeais eleitores.

Por que os ritos papais despertam tanta atenção?

A morte de um Papa e a escolha de seu sucessor despertam atenção mundial porque reúnem diferentes elementos em um mesmo acontecimento.

Existe o aspecto religioso, relacionado à fé e às orações pelo Papa falecido.

Existe também o aspecto histórico, já que muitas das cerimônias preservam tradições construídas ao longo de séculos.

E há ainda o aspecto político e cultural, porque o Papa é uma das figuras religiosas mais conhecidas do mundo e o Vaticano mantém relações diplomáticas com diversos países.

Até mesmo símbolos aparentemente simples, como a fumaça branca ou preta, fazem parte de uma linguagem ritual que milhões de pessoas reconhecem imediatamente.

Os procedimentos podem mudar com o tempo, como aconteceu com as novas regras dos funerais papais, mas a sequência fundamental permanece: despedida do pontífice, período de Sede Vacante, preparação do conclave, eleição e apresentação do novo Papa.

Da Sede Vacante ao “Habemus Papam”

Quando um Papa morre, a Igreja Católica entra em um período de transição cuidadosamente regulamentado.

Primeiro vem a confirmação da morte e o início da Sede Vacante. Depois são realizados os ritos funerários, a exposição do corpo e as celebrações em memória do pontífice.

Ao mesmo tempo, o Colégio dos Cardeais se reúne e começa a preparar a eleição do sucessor.

Quando o conclave finalmente começa, os cardeais eleitores permanecem isolados até que um candidato alcance a maioria necessária de dois terços. Então, a fumaça branca surge sobre a Capela Sistina.

Pouco depois, da varanda da Basílica de São Pedro, uma frase anuncia ao mundo que a espera terminou: Habemus Papam.

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